O Cariri explode em Fortaleza

Cia. ORTAET de Teatro V Mostra Despudorado do Centro Cultural Banco do Nordeste fotografia; ver imagem

Cia. ORTAET de Teatro
V Mostra Despudorado do Centro Cultural Banco do Nordeste
fotografia; ver imagem

Por Maurileni Moreira e Guilherme Bruno

Preta Bigode acontece em um bar. Uma encenação que diz mais do teor das relações, a porosidade dos atores para com o seu entorno do que uma marcação fechada com dramaturgia hermética. O grupo ORTAET de Teatro, residentes em Cariri -CE, apresentou em Fortaleza na V Mostra Despudorado do Centro Cultural Banco do Nordeste seu mais novo trabalho, que conta com texto do dramaturgo Rafael Barbosa.

O espetáculo é um convite à nossa memória de idas e vindas, encontros e desencontros. No bar, esse lugar onde todas nossas prosas e filosofias mais vãs acontecem, Preta ganha vida e um tempero brega que leva o público a gargalhadas intermináveis. A roedeira, o amor, o ciúme, dão sabor a um espetáculo que nos ganha pela sua simplicidade e revela, ao mesmo tempo, as dores e desilusões dos corações apaixonados.

A trilha sonora da peça era generosa com qualquer dor de cotovelo. Reginaldo Rossi, Amado Batista, Roberto Carlos e muitos outros cantavam os recalques sentimentais. O Bar do Lions, onde a encenação aconteceu, não poderia ter sido melhor lugar para que o público pudesse desfrutar dessa experiência onde ficção e realidade dançavam cada vez mais perto de nós, numa retroalimentação constante. A vida do bar não foi interrompida para que o teatro acontecesse, ao contrário, permaneceu como de costume e esteve em sinergia com Preta.

As mesas estavam repletas de olhares atentos e o público se deixava seduzir sem esquecer do gole estupendo de cerveja gelada. Ou uma lapada forte de cana. Nós do cena não hesitamos em pedir uma cerveja. Escolha acertada. E assim, os atores, o público, o bar e tudo ali envolto, era uma verdadeira ode a essa vida bandida e boêmia que, muitas vezes, nos joga no banco da praça.

Preta Bigode Bar conta a história de um homossexual que tem um caso com o mototaxista,  que o mototaxista tem um rolo com uma puta do bar, que o mototaxista é casado com uma mulher, corna dos ‘dois lados’. E que  mais se parece com a ciranda de Drummond: João amava fulana, que amava Sicrano,  que amava Beltrano,  que não amava ninguém.  Fim. Só que em cena o fim está mais para uma ode a boêmia que canta a desesperança dos ‘amores liquidos’.

Preta Bigode Bar acaba sem que a gente tenha percebido. E a gente fica com um gostinho de quero mais porque Preta consegue trazer personagens maravilhosos, como a própria Preta, atores que simplesmente ali estão e com muita disponibilidade, alegria e despudor e; sem sombra de dúvidas, uma boa história pra ser contada, que merece ser contada.

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