As Biscartistas – Tayana Tavares e Tatiana Valente

Por Eduarda Talicy

Divulgação FECTA

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 Saias coloridas, meias listradas, penteados excêntricos. Assim chegaram aos palcos as personagens Desafortunada Maria e Embrutecida Ana. O espetáculo As Biscartistas compôs as apresentações do 9º dia do Festival de Esquetes da Cia Teatral Acontece, no Sesc Iracema, e conta com atuação, direção e produção das atrizes e bailarinas Tatiana Valente e Tayana Tavares.

De cara, minha primeira surpresa foi imaginar as atrizes intérpretes pelos caminhos do riso. Já havia visto anteriormente materiais de divulgação sobre o trabalho e existia em mim uma curiosidade de entender do que se tratava a apresentação. Certamente a expectativa não era só minha. Tayana Tavares é atriz e bailarina e Tatiana Valente é circense, atriz e bailarina.

Já acompanhei alguns trabalhos de ambas, muitas coisas se relacionavam, ao circo (a parte mais acrobática), à dança contemporânea, ao  teatro tradicional e contemporâneo. Depois lembrei da peça Espetáculo, interpretada por Tayana Tavares e Honório Félix, que também acompanha os caminhos da crítica, da metalinguagem teatral, do teatro de rua… Mas ainda assim, nada chegava perto do que pudesse ser o novo trabalho.

O espetáculo se utiliza da linguagem do teatro de rua para contar a história de duas senhoras desempregadas, que estão viajando em busca de emprego. As atrizes se anunciam com uma paródia da música O Show das Poderosas, de Anitta: “Prepara, que agora é hora. E eu sou uma biscartista”. Com falas e corpos caricaturados, Tatiana e Tayana iniciam a saga em busca “de uma ocupação”.

Juntas, as senhoras dialogam com o público, entram em confusões e de maneira espontânea e divertida elas convidam todos a refletirem sobre a situação do desemprego. Nesse aspecto, o espetáculo ganha por, de fato ser engraçado, e conseguir trazer à cena importantes discussões acerca da dificuldade de ser mulher, nordestina e desempregada nos dias atuais. Além disso, as intérpretes fazem sátiras, sobre os desmandos da copa do mundo, as diferenças existentes nas relações trabalhistas entre homem e mulher, as questões delicadas do financiamento artístico, entre outras.

Dos elementos do circo, eu destacaria as acrobacias apresentadas e a técnica do palhaço. Lembrei da infância. As atrizes utilizam ainda instrumentos musicais, corpos e falas caricaturados, e de fato, relembram o teatro de rua quando passam o padeiro para pedir dinheiro. E, que coisa boa, todo mundo sente vontade de colaborar!

Em princípio, elas pareciam um pouco inseguras. Durante o espetáculo, em poucos momentos, tinha aquele vácuo de algo que deveria ser risível e não foi. É compreensível. Na minha opinião, fazer rir é um dos maiores desafios. E no caso das biscartistas, o desafio é triplicado. Trazer uma nova leitura, que foge do trabalho pessoal desenvolvido na carreira de ambas, e buscar o riso ao mesmo tempo em que se faz refletir sobre diversas situações cotidianas que são bastante delicadas. Conseguiram.

O espetáculo é potente, leve, e foi bom revê-las. Foi bom vê-las crescendo na própria esquete. Ao final, pareciam estar em casa. Parabenizo as atrizes pelo trabalho e pela capacidade de se reinventarem.

“Desejo à todas biscartistas vida longa!”

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