As infinitas galáxias da Via Láctea – Diálogo das Galáxias (Pavilhão da Magnólia

Por Guilherme Bruno

Antes de começar este escrito, fiquei buscando palavras, imagens, associações. Algo que pudesse ser pensado impulsionado por uma atenção interessada, pois vislumbro no exercício da crítica essa dimensão. Nessa perspectiva da atenção, quando assisti ao esquete Diálogo das Galáxias, veio-me a expressão: “Que viagem!”. Seu teor intergalacticamente galáctico, permeado de ficção e aventura, com diálogos marcados por um certo non sense e a brincadeira de criança, acabam mesmo por despertar essa sensação da expressão anteriormente citada.

Viagem. Viajantes. Viajar. Viajar para criar, criar para viajar. Adentrar no território das galáxias, desses bilhões de sistemas estelares e interstelares que constituem o universo. Deixar-se perder pela linguagem, pelo prazer de ser criança quando se está a navegar por aparentes besteiras, resguardadas de um excesso de razão. A ludicidade aqui é uma matéria-prima inevitável. Das possibilidades de ser ludus. Um copo de leite – ou seria vitamina? – e duas crianças, uma luz amena, pijamas. Bichos de pelúcia e a vontade de brincar. O esquete viaja, nesse sentido mais amplo.

O Grupo Pavilhão da Magnólia, que se concentra no desenvolvimento de uma linguagem lúdica, prezando pelo público infanto-juvenil, cria Diálogo das Galáxias com referências como a série norte-americana Guerra nas Estrelas, de George Lucas. Além disso, a dramaturgia é de Neto Holanda, que encontra na montagem uma atenção à sua proposição. Por outro lado, os diálogos soam frágeis na dimensão da atuação. Em outras palavras: os atores podem brincar mais de ser criança, trazendo-a mais pra perto de si, ao invés de fabricá-la.

Destaco um momento bastante divertido: O de formas animadas com os bichinhos de pelúcia. Aqui, os atores manipulam os bonecos, por assim dizer, e conseguem arrancar risadas da plateia. Entre sonho e devaneio, realidade e ficção, brincadeira e jogo, o esquete revela o quanto são diversos os caminhos da teatralidade contemporânea. Um esboço para um espetáculo me parece ser possível. Ou não. O que realmente me interessa é esse despojamento da linguagem. Essa viagem – literalmente uma viagem – que Diálogo das Galáxias nos apresenta.

O esquete foi o 3º da noite de domingo no Fecta – Festival de Esquetes da Cia Teatral Acontece, no Teatro Antonieta Noronha e as crianças que por lá estiveram devem ter fitado os olhos para o que viam diante do palco. Uma instigante formação de plateia também acompanha o trabalho do grupo, dada sua abrangência maior de atuação, como a Residência Artística no Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno, da Universidade Federal do Ceará. E também ao seu repertório voltado para a linguagem infanto-juvenil.

Muitas vias lácteas e vitaminas – ou era leite? – para os que fazem o Pavilhão.

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Foto: Italo André/Fecta: divulgação.

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