Das manifestações que nos habitam – O Boi Itaitinga (Teatro Acauã)

Por Guilherme Bruno

Divulgação Fecta

Divulgação : Fecta

Cores, festa e alegria. Foi assim que o Grupo de Teatro Acauã, do município de Itaitinga, localizado na região metropolitana de Fortaleza, apresentou seu esquete na 11ª Edição do Fecta – Festival de Esquetes da Cia Teatral Acontece. O grupo trouxe ao palco um teatro de raiz popular, com seus personagens humanos, fantásticos e animais, numa verdadeira celebração do brincar, do jogo e da improvisação. Eis o Boi Itaitinga.

(…) Vem mostrar pra essa gente o seu boi, o Boi Itaitinga chegou”, entoavam os brincantes. O coronel chega logo em seguida à procura de seu Boi e fica enfurecido ao perceber que ele não aparece. Em seu lugar, outros personagens entremeiam a celebração como a Burrinha – símbolo do trabalho; o Jaraguá – que simboliza o mundo sobrenatural e fantástico, entre outros. O boi chega, desfila e brinca com todos, mas cai logo depois. Fica ali, parado no centro do palco, entre a vida e a morte. O vaqueiro surge e tenta ressuscitá-lo para a alegria do Coronel. O homem bondoso conta com a ajuda de Catirina e do curador, mas sem êxito, a vista da morte chega e tenta levar de vez o boi. O vaqueiro a espanta e entoa: “Levanta meu boi, levanta (…) se tu pisar não descamba, se descambar leva fim, tu quer saber quem sou eu? Pula pra riba de mim!

E todo o grupo comemora. A descrição acima se faz necessária no sentido de observar minimamente a estrutura e apropriação do grupo frente a este folguedo, que também recebe outras denominações como auto, danças dramáticas (termo cunhado por Mário de Andrade), e demais terminologias. Assim, cada lugar recebe este tipo de manifestação de uma forma peculiar, de acordo com sua dinâmica cultural e imaginário.

Divulgação : Fecta

Divulgação Fecta

O trabalho do grupo, que vem sendo desenvolvido há mais de duas décadas, revela um caminho de pesquisa sobre o universo da cultura popular e sua complexidade de símbolos e sentidos, fortalecendo o patrimônio imaterial da cultura cearense e, por conseguinte, brasileira. É nítido o cuidado com os figurinos e adereços. O grupo se pauta na linguagem cênica de raiz popular e conta com uma elaboração musical própria onde músicos em cena se fazem presentes junto às canções entoadas pelos brincantes.

Sobre essa última questão, na apresentação do Fecta, por vezes não se ouvia as canções. Talvez pelo fato da ausência de amplificadores de som e microfones, mas também pela projeção vocal de alguns brincantes, o que precisa ser observado, na medida em que o grupo também se apresenta na rua e em espaços abertos. No entanto, alerto para o fato de que isso não apagou o brilho da apresentação, que com muita beleza, abriu a Mostra Noturna do Fecta de domingo.


Vida longa ao Teatro Acauã e a cidade de Itaitinga!

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