A matança do Porco – No Barraco da Constância Tem

Por Maurileni Moreira

Para ler ouvindo A MATANÇA DO PORCO

Francis-Bacon.-Autorretrato-detalhe.jpg.

Como começar quando o que chega antes do Corpo é o invisível da cena? É uma sensação, um mal estar, uma agonia dilacerante e quase mórbida do fazer algo, seja o que for e em que for – dança, teatro ou performance.

Assim que fora levantado pelo apresentador e coordenador do Festival de Esquetes da Cia. Teatral Acontece – Almeida Júnior, que a esquete seguinte seria para maiores de 18 anos, dava para ver nos olhos do público a espera de uma carnificina. Não um texto fechado, uma dramaturgia fechada, mas algo que viria dali, perene e confuso: a morte de algo.

A matança do Porco, experimentação dramaturgica do grupo de teatro No Barraco da Constância Tem, dispõe em cena de um quadro de mutações. Não para ir de encontro ao texto escrito, mas para ir ao encontro de um ‘catálogo de sensações’.

O coro surge, inaudível e fragilmente atacado. Não se sentiam afetados pelo externo, mas pelo que cada um carrega consigo. Os corpos pendiam, buscavam respirações contagiadas, alçavam o fôlego e cinestesicamente dava pra sentir uma estranha caminhada, onde parece que somos puxados pelos cabelos ao encontro de um matadouro humano, racional, empírico…  Busca respirar.

Fotografia Italo Andre

Fotografia Italo Andre

Não há pernis, não há linguiças, não há terceira alternativa. Há atores e dançarinos e performers conjugados no seu tempo, no limiar da incerteza do fim do fim do fim. Quem sabe. A quem já os tenha visto em cena, vê-se que o grupo em questão aposta na experimentação sem uma preocupação inicial de ter que dar respostas. Pra quê responder?  Que necessidade temos de categorias fechadas?

Os atores correm em círculo, num ritmo exaustivo e obstinado. Parece que se parar não haverá mais para onde correr. É preciso estar em movimento, assim como a rotação dos planetas. Eles se empurram e ao invés de ser violência, chega como impulso, estímulo para que você não pare. Continue a caminhar, continue a caminhar, continue. Pode ser que as partes dos nossos corpos estejam de fato expostas: pele, carne e ossos. Pode ser isso e nós que não estamos nos atentando. Há até carne podre em estado de decomposição no olhar de alguns. E, repito, não há pernis, não há linguiças, não há uma terceira alternativa. Existe essa, e pronto. É uma escolha política, ética, estética e necessária.

No coletivo, eles assinam o trabalho enquanto direção coletiva. Questões políticas e éticas de quem acredita que ainda pode-se fazer algo juntos ao aceitar diferenças e, mais que isso, acreditar na inventividade de que todos nós somos criadores de nosso tempo. E, aqui poderíamos nos questionar e pôr na roda de discussão os caminhos pedagógicos escolhidos pelo grupo.

‘Direção Coletiva é uma opção política, além de estética. É uma opção política de crença de que a gente pode construir realmente coisas juntos e… Eu acho que pode até acontecer mesmo, de um dar mais pitaco do que o outro, mas a gente trabalha com direção coletiva justamente pra ir contra a  dominação de alguma figura, porque a gente acha que… Não que a gente seja contra a direção de uma pessoa específica, mas a tentativa de a gente se colocar todo mundo como encenador é uma tentativa de que todo mundo pode ser encenador dentro do nosso grupo, todo mundo pode ser ator, todo mundo pode ser o que quiser e é um lugar de experimentação também dentro desse grupo. E é um lugar que a gente escolheu, pro grupo, é ser um lugar de experimentação.’ Honório Felix

Pele. Osso. Cabelo. Sangue. Dente. Olho. Carne. Suor. Ariel Volkova. Honório Félix. Tayana Tavares. William Pereira Monte. A matança do porco. 2014. No barraco da Constância tem!. Wagner Tiso. Tavito. Luiz Alves. Robertinho Silva. Zé Rodrix. Frederyko ou Fredera. A matança do porco. 1973. Som Imaginário. Milton Nascimento. O milagre dos peixes. Para Lennon e McCartney. São Bartolomeu. Clube da esquina. 1978. 1972. Destroçado. Curvelíneo. Assimétrico. Barroco. May B. 1981. Corte variado. Dave Brubeck. King Crimson. Os heróis. Os Borges. O êxtase de Santa Teresa. Gian Lorenzo Bernini. Corte fino. Corte aleatório. Corte selecionado. Corte específico. Corte aqui. Joachim Beuckelaer. Barent Fabritius. Maguy Marin. Chaïm Soutine. Friedrich Händel. Johann Sebastian Bach. Alex Kanevsky. Lovis Corinth. Sasha Waltz. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. O igual. O diferente. A linha reta. O ponto de fuga. Bichx. 2013. New general catalogue. Ouro preto. Três Pontas. 6 variações para uma orquestra. Belo Horizonte. Minas Gerais. Fortaleza. Ceará. Portugal. Laudir de Oliveira. Nivaldo Ornelas. Toninho Horta. Paulinho Braga. Jamil Joanes. De quatro. De terceira. Linguiças. Conjuntos. Pedaços. Em repetição. Em acumulação. Em observância. À espreita. Abate. Contraste. Contraponto. Polifônico. Sanguinário. Armina. Morse. Cenouras. Bolero. Apocalíptico. Cardápio. Frios e quentes. Luz e sombra. Pratos de trigo. Tontura. Expostos. Enaltecidos. Um banquete. Quatro banquetes. Uma boa refeição. Tristes. Feira moderna. Pantera. Vera Cruz. Nepal. Brasil. Século XVI. Século XVII. Século XVIII. Século XX. Século XXI. Temperatura. Temperamento. Francis Bacon. Baixo contínuo. Ariel Volkova e Honório Félix, barraqueiros da Constância.

Pele. Osso. Cabelo. Sangue. Dente. Olho. Carne. Suor. Ariel Volkova. Honório Félix. Tayana Tavares. William Pereira Monte. A matança do porco. 2014. No barraco da Constância tem!. Wagner Tiso. Tavito. Luiz Alves. Robertinho Silva. Zé Rodrix. Frederyko ou Fredera. A matança do porco. 1973. Som Imaginário. Milton Nascimento. O milagre dos peixes. Para Lennon e McCartney. São Bartolomeu. Clube da esquina. 1978. 1972. Destroçado. Curvelíneo. Assimétrico. Barroco. May B. 1981. Corte variado. Dave Brubeck. King Crimson. Os heróis. Os Borges. O êxtase de Santa Teresa. Gian Lorenzo Bernini. Corte fino. Corte aleatório. Corte selecionado. Corte específico. Corte aqui. Joachim Beuckelaer. Barent Fabritius. Maguy Marin. Chaïm Soutine. Friedrich Händel. Johann Sebastian Bach. Alex Kanevsky. Lovis Corinth. Sasha Waltz. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. O igual. O diferente. A linha reta. O ponto de fuga. Bichx. 2013. New general catalogue. Ouro preto. Três Pontas. 6 variações para uma orquestra. Belo Horizonte. Minas Gerais. Fortaleza. Ceará. Portugal. Laudir de Oliveira. Nivaldo Ornelas. Toninho Horta. Paulinho Braga. Jamil Joanes. De quatro. De terceira. Linguiças. Conjuntos. Pedaços. Em repetição. Em acumulação. Em observância. À espreita. Abate. Contraste. Contraponto. Polifônico. Sanguinário. Armina. Morse. Cenouras. Bolero. Apocalíptico. Cardápio. Frios e quentes. Luz e sombra. Pratos de trigo. Tontura. Expostos. Enaltecidos. Um banquete. Quatro banquetes. Uma boa refeição. Tristes. Feira moderna. Pantera. Vera Cruz. Nepal. Brasil. Século XVI. Século XVII. Século XVIII. Século XX. Século XXI. Temperatura. Temperamento. Francis Bacon. Baixo contínuo.
Ariel Volkova e Honório Félix,
barraqueiros da Constância.

Pina Bausch. Bolero de Ravel. Todos os homens são chamados de Robert. Pina Bausch. Bolero de Ravel.Todos os homens são chamados de Robert. Pina Bausch. Bolero de Ravel. Todos os homens são chamados de Robert.‘Uma composição a partir da canção. ‘Pina Bausch. Bolero de Ravel. Todos os homens são chamados de Robert. Catálogo de sensações.  Pina Bausch. Bolero de Ravel. Todos os homens são chamados de Robert. Direção coletiva.  Pina Bausch. Bolero de Ravel. Todos os homens são chamados de Robert.  À melodia está implícita o fim.
Desejava saber por quanto tempo o frio poderia conservar a carne.

Findo com dois vídeos; o primeiro é mais uma vontade de mostrar para o Grupo No Barraco da Constância Tem TODOS SOMOS ROBERT

E o segundo, uma dança nu em Los Angeles. Aos que estavam presentes, sabem a quê me reporto.

Gente que dança pelada ❤

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